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Boa Vista do Buricá, Quinta-Feira, 30 de Outubro de 2014

COLUNA DO PADRE

NESTOR A. ECKERT

20-07-2011
BARRAGENS: ÁGUA EM NOSSOS PÁTIOS.
Nos anos de 1970 até 1978, aproximadamente, os governos militares haviam elaborado diversos projetos de construção barragens para usinas hidrelétricas no Rio Uruguai. Os territórios a serem atingidos são os nossos. Estamos à beira do Rio Uruguai e é aí que as águas das barragens devem chegar. Como houve um movimento popular significativo “contra as barragens”, como houve um movimento dos “atingidos pelas barragens”, os projetos foram para as gavetas. Mas, agora estamos vivendo uma ressurreição dos projetos de construção de barragens. Daremos apenas dados sobre dois casos, que, ao que parece, são até “desconhecidos” pela maior parte das pessoas. E isso interessa ao governo federal: é fácil governar gente que não sabe das coisas.
Daremos informações sobre as Barragens de Garabi e Panambi (é uma cidade na Argentina). A barragem de Garabi será construída nas cidades de Garruchos (RS) – margem brasileira do Rio Uruguai – e Garabi (Argentina) – margem argentina.
A Barragem de Panambi será construída entre Alecrim (RS) e Panambi (Argentina).
O tempo previsto para a construção é iniciar em 2012 e terminar em 2018. O custo previsto da construção das duas barragens: 5 bilhões e 600 milhões dólares. As obras de construção gerariam 40.000 empregos.
Quais seriam as cidades brasileiras diretamente atingidas e afetadas?
A barragem de Garabi atingiria: Garruchos, Santo Antônio das Missões, São Nicolau, Pirapó, Roque Gonzalez, Porto Vera Cruz, Porto Lucena e Porto Xavier. É provável que o Parque Estadual do Turvo perca 1.700 hectares e parte do Salto do Turvo.
Quantas pessoas seriam atingidas e teriam de deslocar-se? Garabi: 2.400 pessoas nas cidades e 3.800 pessoas na área rural, ao todo, 6.200 pessoas Seriam submersas terras equivalentes a 280 quilômetros quadrados (28.000 hectares).
A barragem de Panambi atingiria as cidades de: Alecrim, Dr. Maurício Cardoso, Novo Machado, Porto Mauá, Santo Cristo, Tucunduva, Crissiumal, Derrubadas, Esperança do Sul e Tiradentes do Sul.
População afetada: 1.300 pessoas nas cidades e 5.400 pessoas na área rural. Lembremos que em ambos os casos, na área rural são sempre pequenos agricultores a ser atingidos. Ao todo, na Barragem de Panambi serão atingidas 6.700 pessoas. No caso da Barragem de Panambi, seriam submersos, isto é, inundados ou tomados pelas águas, ao todo, 450 quilômetros quadrados (45.000 hectares).
Para exemplificar vejamos o caso de Crissiumal: no Balneário Três Ilhas, o Rio Uruguai subirá 10m; nas Ilhas do Chafariz, 12m; no balneário Londero (Dr. Maurício Cardoso) a inundação será de 17m (é como se ali o Rio Uruguai subisse 17 metros acima do nível). Estima-se que nos dois casos ao menos 400 casas de veraneio serão atingidas.
A altura da Barragem Garabi, em Alecrim, será de 40m. De outro lado, a Barragem Panambi fará com que em Porto Mauá, o Rio Uruguai esteja 26m acima do nível, em frente à aduana atual. Todas as casas nas imediações da aduana estarão inundadas. O Município de Porto Mauá terá seu território reduzido em 30%, que ficará em baixo de águas.
A barragem de Panambi atinge o Salto Yucumã, mas não afetará o local turístico. A barragem começa perto do Salto Yucumã.
Os empreendimentos hidrelétricos já concluídos e por concluir no Rio Uruguai, Rio Canoas e Rio Pelotas (esses dois, quando se juntam dão início ao Rio Uruguai) são: São Pedro, Garabi, Panambi, Itapiranga, Foz do Chapecó (concluído), Itá (concluído), Machadinho (concluído), Barra Grande (concluído), Pai-Querê e Passo da Cadela.
No presente texto, quisemos dar apenas os dados principais sobre as Barragens de Garabi e Panambi, sem entrar em análise e interpretação desses dados falando, por exemplo, de consequências, danos, benefícios, mudanças que poderão surgir no ecossistema, nas estações climáticas, situações sociais etc. Mas, pensemos apenas no seguinte caso: o Rio Uruguai represado e subindo, represará seus afluentes. Vejamos o caso do Rio Buricá e seu afluente, o Lajeado Almeida! Serão atingidos?
De fato, as águas poderão chegar a nossos pátios e pegaremos peixe à unha!
Fonte básica de pesquisa: BRACK, Paulo. Hidrelétricas no Brasil: tragédias e afronta à Constituição Federal, para quem? (mimeo).
Nestor Adolfo Eckert – naeckert@terra.com.br – (55) – 9933.6069.
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